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— Eu não irei. Há mais de quarenta anos que as mulheres iranianas não usam mais o véu e...

— Quarenta chibatadas vão dobrar a sua desobediência! Deus é Grande! — Hussein fez sinal para um dos seus acólitos. Outros agarraram a mulher e imobilizaram-na. O chicote logo rasgou a fazenda nas costas dela debaixo das vaias dos homens que assistiam. Quando terminou, a mulher desmaiada foi carregada. Por outras mulheres. As outras voltaram para casa. Em silêncio.

Lá, Hussein olhou para a esposa, com o ventre inchado da gravidez.

— Como você ousou comparecer a um protesto de meretrizes e mulheres perdidas?

— Foi... foi um erro — disse ela, apavorada. — Foi um grande erro.

— Sim, você ficará sem comida, passando apenas a água, por dois dias, para se lembrar. Se você não estivesse grávida, sofreria o mesmo castigo, na praça.

— Obrigada por ter sido misericordioso, que Deus o abençoe e proteja Obrigada..

NO AEROPORTO DE TEERÃ: 18:40H. Com Andrew Gavallan ao seu lado, McIver saiu da área de descarga em direção ao 125, ETLL, que estava parado no pátio de carga a meio quilômetro de distância. O aparelho tinha chegado de Tabriz há uma hora e estava reabastecido e pronto para o vôo de volta através do golfo. Depois que ele pousou, Armstrong agradecera-lhes efusivamente por ter permitido que ele usasse o aparelho. Assim como o coronel Hashemi Fazir.

— O capitão Hogg disse que o 125 volta no sábado, sr. Gavallan — dissera Hashemi, educadamente. — Eu gostaria de saber se o senhor terá a gentileza de nos dar uma carona até Tabriz. Só de ida desta vez, não será necessário esperar, nós voltaremos por nossa própria conta.

— É claro, coronel — Gavallan respondera gentilmente, sem se sentir nada satisfeito em relação aos dois homens.

Ao chegar de Al Shargaz naquela manhã, McIver contara-lhe imediatamente, em particular, por que era necessário cooperar

— Eu vou tratar disso imediatamente com Talbot, Mac — ele dissera, furioso com a chantagem. — Não importa que seja CID ou Seção Especial!

Eles todos tinham tapado os ouvidos com as mãos quando um gigantesco avião de transporte dos Estados Unidos taxiou perto deles, em direção ao ponto de decolagem — um dos muitos aviões do governo americano enviados para evacuar o resto do pessoal americano de prestação de serviços e da embaixada, exceto por um pequeno grupo. O ar superaquecido dos jatos suspendeu a neve e atingiu-os. Quando Gavallan conseguiu fazer-se ouvir, ele disse:

— Talbot deixou uma mensagem para o senhor, sr. Armstrong, e pediu que o senhor fosse vê-lo o mais cedo possível. — Ele viu o olhar trocado entre os dois homens e imaginou o que significaria.

— Ele disse onde, senhor?

— Não, apenas que fosse vê-lo o mais cedo possível. — Gavallan teve a atenção despertada por uma enorme limusine preta que vinha depressa em direção a eles, com a bandeira oficial de Khomeini no pára-lama. Dois homens saltaram e cumprimentaram Hashemi com deferência, segurando a porta para ele entrar.

— Até sábado. Mais uma vez obrigado, sr. Gavallan. — Hashemi entrou atrás.

— Como poderemos entrar em contato com o senhor, coronel, caso haja uma mudança nos planos?

— Através de Robert. Ele pode me mandar um recado. Há alguma coisa que eu possa fazer por vocês? Aqui no aeroporto?

McIver disse rapidamente.

— Com relação ao abastecimento, obrigado por ter providenciado, se o senhor conseguir que nós tenhamos um serviço assim tão rápido todas as vezes, eu agradeceria. E também as nossas autorizações.

— Vou cuidar disso. O senhor terá prioridade para o vôo de sábado. Se houver alguma outra coisa, por favor, peça a Robert. Vamos, Robert.

Robert Armstrong disse:

— Mais uma vez obrigado, sr. Gavallan, vejo-o no sábado, se não o vir antes.

Quando Talbot esteve lá mais cedo para saber a hora em que Armstrong voltaria de Tabriz, Gavallan o chamara para um canto e tinha urrado de ódio por causa da chantagem.

— Pelo amor de Deus — dissera Talbot, chocado. — Que acusação terrível, terrivelmente não-britânica, Andrew, se me permite falar assim! Eu compreendo que Armstrong teve um trabalho considerável para tentar livrar você, a sua companhia, Duncan e Lochart... um bom homem aquele, linda esposa, que coisa triste o que houve com o pai dela... de um desastre que pode vir à tona a qualquer momento. Não pode? — E sorriu docemente. — Eu compreendo que Robert pediu, apenas pediu um modesto favor, fácil de providenciar, nada demais, Andrew.

— Ele é da Seção Especial, ex-CID em Hong Kong, não é? O sorriso de Talbot não perdeu a doçura.

— Eu não sei dizer. Mas ele parece querer prestar-lhe um favor. Simpático da parte dele, não?

Ele está com o livro de autorizações?

— Eu não sei de nada a respeito disso.

— Quem é esse coronel Fazir afinal de contas? Talbot tinha acendido um cigarro.

— Apenas um amigo. É um homem bom para se ter como amigo.

— Eu reparei nisso. Ele conseguiu combustível e prioridade para decolar como se fosse Deus Todo-Poderoso.

— Oh, ele não é, de jeito nenhum. É quase isso, mas não é Deus. Deus é inglês — Talbot dera uma gargalhada. — É é mulher. Nenhuma inteligência masculina poderia ter feito uma confusão tão completa no mundo. Uma palavra de advertência, meu chapa: eu ouvi dizer, seguindo o conselho do seu colega de diretoria, Ali Kia, que eles pretendem nacionalizar todas as companhias de aviação estrangeiras, especialmente a sua, se conseguirem organizar as coisas.

Gavallan ficou chocado.

— Quem são eles!

— Isso importa?

Depois que Talbot já tinha ido embora, Gavallan voltou para o escritório que estava com uma boa freqüência hoje. Ainda não voltara ao normal, mas estava chegando lá — operador de rádio, operador de telex, gerente administrativo, almoxarifes e alguns secretários, não havia nenhuma mulher presente hoje, porque todas tinham pedido permissão para ir à marcha de protesto.

— Mac, vamos dar uma volta.

McIver levantou a cabeça de uma pilha de relatórios.

— Claro — disse, vendo a fisionomia grave do outro.

Eles não tinham tido tempo ainda de conversar em particular, era impossível fazer isso dentro ou perto dos escritórios, as paredes eram finas e os ouvidos estavam atentos em toda parte. Desde que Gavallan chegara há horas atrás, os dois tinham estado ocupados verificando o livro caixa, os contratos ainda em vigor, os contratos suspensos ou cancelados e o estado atual de cada base — todas elas comunicando, reservadamente, um mínimo de trabalho e um máximo de aborrecimento — a única notícia boa fora a permissão conseguida por McIver para exportar os três 212 e mesmo isso não era certo. Ainda.

Os dois homens saíram para o pátio de carga. Um jumbo da JAL roncou no céu.

— Dizem que ainda há dois ou três mil técnicos japoneses se divertindo na Iran-Toda — McIver disse distraidamente.

— O consórcio deles está levando uma tremenda surra. Hoje o Financial Times disse que o prejuízo deles já vai a meio bilhão de dólares, não há nenhuma chance deles terminarem este ano, nem de pularem fora. Isso e o excesso de frota mercante no mundo devem estar prejudicando imensamente a Toda. — Gavallan verificou se não havia ninguém por perto. — Pelo menos o nosso investimento de capital é móvel, Mac, a maior parte dele.

McIver olhou para ele, vendo o rosto marcado, as espessas sobrancelhas grisalhas, os olhos castanhos.

— E este o motivo da "conferência urgente"?

— Um deles. — Gavallan contou-lhe o que Talbot dissera. — Nacionalizada! Isso significa que vamos perder tudo, a menos que tomemos alguma providência. Genny tem razão, você sabe. Temos que fazer isso sozinhos.