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Lá embaixo, perto do hangar, ele viu o 206, sendo lavado por um dos mecânicos. Ótimo, pensou, talvez o estejam preparando para voar. Três revolucionários armados estavam numa varanda próxima, sob a projeção de um trailer, fumando, abrigados do vento. Não havia nenhum sinal de vida no resto da base, embora saísse fumaça da chaminé da cabana de Erikki e da que era partilhada pelos mecânicos, e da cozinha. Ele podia ver até a estrada. A barreira ainda estava lá, guardada por alguns homens, e havia alguns caminhões e carros parados.

Seus olhos voltaram-se novamente para os homens na varanda e ele pensou em Gueng e em como o seu corpo fora atirado como um saco de ossos velhos na sujeira da pick-up, debaixo dos pés deles, talvez desses mesmos homens, talvez não. Por um momento, sua cabeça doeu com a força do ódio. Ele olhou para Azadeh. Ela respirava melhor, ainda mais ou menos em choque, sem enxergá-lo de verdade, com um filete de saliva e de vômito escorrendo pelo queixo. Com a manga, ele limpou-lhe o rosto.

— Nós estamos bem agora, descanse um pouco e depois continuamos.

Ela balançou a cabeça e a apoiou nos braços, mais uma vez no seu mundo particular. Ele voltou a se concentrar na base.

Passaram-se dez minutos. Quase nada mudou. Lá em cima, a camada de nuvens era um cobertor sujo, e a neve pesada. Dois dos homens armados entraram no escritório e ele podia vê-los de vez em quando através das janelas. O terceiro homem prestava pouca atenção ao 206. Não havia nenhum outro movimento. Então um cozinheiro saiu da cozinha, urinou na neve, e tornou a entrar. Mais algum tempo. Agora um dos guardas saiu do escritório e foi andando pela neve até o trailer dos mecânicos, com um M16 pendurado no ombro. Abriu a porta e entrou. Alguns instantes depois tornou a sair. Com ele, estava um europeu alto, vestindo roupa de piloto, e um outro homem. Ross reconheceu Nogger Lane e o outro mecânico. O mecânico disse alguma coisa a Lane, depois acenou e tornou a entrar no trailer. O guarda e o piloto foram andando em direção ao 206.

Todo mundo localizado, pensou Ross, com o coração disparado. Desajeitadamente, ele checou a carabina, com a granada na mão direita atrapalhando, depois colocou no bolso os dois últimos cartuchos e a última granada que ficara na mochila. De repente, o medo o invadiu e ele teve vontade de sair correndo, oh, Deus, ajude-me a fugir, a me esconder, a estar em casa, seguro, em qualquer lugar longe dali...

— Azadeh, eu vou até lá agora — ele se forçou a dizer. — Prepare-se para correr para o helicóptero assim que eu acenar ou gritar. Preparada? — E a viu olhar para ele e balançar a cabeça, formulando um sim com os lábios, mas ele não tinha certeza se ela realmente compreendera. Ele tornou a repetir e sorriu encorajadoramente. — Não se preocupe — Ela concordou com a cabeça.

Então abriu a bainha do kookri e saiu correndo como um animal selvagem atrás de alimento.

Ele deslizou por trás da cabana de Erikki, protegido pela sauna. Lá dentro havia barulho de crianças e uma voz de mulher. A boca seca, a granada morna nas mãos. Esgueirando-se de abrigo em abrigo, enormes tambores, pilhas de canos e serrotes e toras de reserva, sempre mais para perto do treiller-escritório. Olhando em volta para ver o guarda e o piloto aproximando-se do hangar, o homem da varanda observando-os preguiçosamente. A porta do escritório se abriu, um outro guarda saiu tendo ao seu lado um novo homem, mais velho, maior, sem barba, possivelmente europeu, usando roupas de melhor qualidade e armado com uma arma Sten. No cinto de couro grosso em volta da cintura dele, havia um kookri dentro da bainha.

Ross soltou a alavanca, ela pulou.

— Um, dois, três — e ele saiu de onde estava, atirou a granada nos homens que estavam na varanda, a quarenta metros de distância, e tornou a se abaixar atrás do tanque, já preparando outra.

Eles o tinham visto. Por um momento ficaram paralisados, depois enquanto se atiravam no chão para se proteger, a granada explodiu, destruindo a maior parte da varanda, matando um deles, atordoando o outro e mutilando o terceiro. No mesmo instante, Ross correu, com a carabina apontada, com a nova granada na mão direita, o dedo indicador no gatilho. Não havia nenhum movimento na varanda, mas perto do hangar o mecânico e o piloto se atiraram na neve e puseram os braços sobre a cabeça, em pânico, o guarda correu para o hangar e, por um momento, ficou desprotegido. Ross atirou e errou, correu para o hangar, notou uma porta nos fundos e desviou-se para lá. Ele abriu a porta e pulou para dentro. O inimigo estava do outro lado, atrás de um motor, com a arma apontada para a outra porta. Ross estourou a cabeça dele, com o tiro ecoando nas paredes de chapa ondulada, depois correu para a outra porta. Através dela, ele podia ver o mecânico e Nogger Lane deitados na neve, perto do 206. Ainda protegido, ele gritou para eles:

— Rápido! Quantos inimigos há aqui? — Nenhuma resposta. — Pelo amor de Deus, respondam!

Nogger Lane levantou a cabeça, com o rosto branco.

— Não atire, nós somos civis, ingleses, não atire!

— Quantos inimigos existem aqui?

— Havia... havia cinco... cinco... este aqui e o resto no escritório... eu acho que no escritório...

Ross correu para a porta traseira, atirou-se no chão e espiou para fora, no nível do chão. Nenhum movimento. O escritório estava a cinqüenta metros de distância — a única proteção era rodeando o caminhão. Ele ficou em pé e atirou-se para lá. Balas arrancaram pedaços de metal e depois pararam. Ele tinha visto o clarão saindo de uma janela quebrada do escritório.

Depois do caminhão havia um espaço aberto, e neste espaço, um fosso que se estendia a perder de vista. Se eles continuarem lá dentro, eu os pego. Se eles saírem, e devem sair, sabendo que estou sozinho, as chances são maiores para eles.

Ele se arrastou para a frente, de barriga, pronto para a batalha. Estava tudo quieto, o vento, os pássaros, o inimigo. Estavam todos esperando. Dentro do fosso agora. Avançando devagar. Chegando mais perto. Vozes e uma porta rangendo. Silêncio de novo. Mais um metro. Mais um. Agora! Ele preparou os joelhos, enfiou os dedos dos pés na neve, soltou a alavanca da granada, contou até três, ficou em pé de um salto, escorregou mas conseguiu manter o equilíbrio, e atirou a granada pela janela quebrada, mais à frente do homem que estava lá em pé, com a arma apontada para ele, e tornou a se atirar na neve. A explosão fez cessar a rajada de metralhadora, quase explodiu os seus próprios tímpanos e mais uma vez ele estava de pé, correndo em direção ao trailer, atirando enquanto corria. Pulou por cima de um cadáver e continuou, ainda atirando. De repente, a sua arma parou e o seu estômago revirou-se, até conseguir tirar o cartucho usado e enfiar um novo. Ele tornou a atirar no cara da metralhadora e depois parou.

Silêncio. Depois um grito ali perto. Cautelosamente, ele deu um chute na porta quebrada e saiu para a varanda. O que tinha gritado estava sem as pernas, enlouquecido, mas ainda vivo. Em volta da sua cintura estava o cinto de couro e o kookri que tinham sido de Gueng. Ross ficou cego de fúria, e arrancou o kookri da bainha.

— Você conseguiu isto na barreira? — gritou em farsi.

— Ajude-me ajude-me ajude-me... — Um paroxismo em alguma língua estrangeira e depois: — Quem é você quem... ajude-me... — O homem continuou a gritar e misturado com os gritos exclamava: — Ajude-me... sim eu matei o Sabotador... ajude-me...

Com um berro de gelar o sangue, Ross atirou-se sobre ele e quando sua vista clareou, ele estava olhando para a cabeça que pendia da sua mão esquerda. Enojado, ele a deixou cair e virou-se. Por um momento, não soube onde estava, depois sua mente clareou, suas narinas encheram-se com o cheiro de sangue e pólvora, ele se viu nos destroços do trailer e olhou em volta.