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— Apenas eu no meu pássaro e todo mundo em segurança fora daqui? Como um relâmpago.

— Os seus rapazes o fariam?

Scragger pensou por um momento e tomou um gole de cerveja. Eles estavam sentados numa mesa de um dos imaculados terraços que cercavam a piscina do hotel, um dos mais novos do pequeno domínio, com outros hóspedes espalhados ali por perto mas nenhum muito próximo, o ar perfumado e com uma brisa suficiente apenas para balançar as folhas das palmeiras e trazer a promessa de uma noite perfeita.

— Ed Vossi faria. — Ele riu. — Ele tem bastante de malandragem austríaca e da impetuosidade ianque. Não acho que Willi Neuchtreiter o fizesse Seria duro para ele quebrar tantas regras quando não é ele quem está sendo ameaçado. O que diz Duke Starke? E Tom Lochart e Rudi?

— Ainda não sei. Eu mandei uma carta para Duke, via Johnny Hogg, na quarta-feira.

— Isso não é um tanto perigoso?

— Sim e não. Johnny Hogg é um mensageiro de confiança, mas este é um grande problema... conseguir comunicar-me em segurança. Tom Lochart estará em Kowiss em breve. Você soube a respeito de Zagros?

— Se soube! Aquele pessoal da montanha é todo doido. E quanto ao velho Rudi?

— Ainda não sei como contactá-lo em segurança. Talvez Mac tenha alguma idéia. Vou viajar no 125 que vai de manhã para Teerã e nós vamos conversar no aeroporto. Depois eu torno a voltar para cá e tenho uma reserva no vôo noturno para Londres.

— Você está exagerando um pouco, não está, meu velho?

— Estou com alguns problemas, Scrag.

Gavallan ficou olhando para o copo, girando distraidamente o uísque em volta dos cubos de gelo. Outros hóspedes passavam de um lado para o outro Três eram moças, de biquíni, com a pele dourada, longos cabelos pretos, com as toalhas jogadas displicentemente nos ombros. Scragger viu-as, suspirou e depois tornou a concentrar a atenção em Gavallan.

— Andy, talvez eu tenha que levar Kasigi de volta para a Irã-Toda dentro de um ou dois dias... O velho George está lambendo os pés de Kasigi desde que ele concordou em pagar dois dólares a mais sem reclamar Kasigi acha que o barril vai subir para vinte dólares até o Natal

A preocupação de Gavallan aumentou

— Se isto acontecer, vai repercutir em todas as nações industrializadas A inflação vai tornar a subir. Acho que ninguém sabe disso melhor do que eles — Mais cedo, assim que Scragger falara em Kasigi e em Toda, ele reagira imediatamente, uma vez que a Struan's forneceu pessoal e fretou muitos dos navios construídos pela Toda e eram velhos associados.

— Há anos, eu conheci o patrão desse Kasigi, um homem chamado Hiro Toda. Ele alguma vez mencionou isso?

— Não, não. Nunca. Onde você o conheceu? No Japão?

— Não, em Hong Kong. Toda estava tratando de negócios com a Struan's, a companhia para a qual eu trabalhava, naquela época era a Navegação Toda, construtores de navios, não o enorme conglomerado que é hoje. — O rosto de Gavallan endureceu. — Eu venho de uma família de antigos comerciantes de Xangai. A nossa companhia foi mais ou menos exterminada durante a Primeira Guerra, então nós nos juntamos à Struan's. O meu velho estava em Nanquim em 1931 quando os japoneses a saquearam e ele foi preso em Xangai logo depois de Pearl Harbor e nunca chegou a sair do campo de prisioneiros. — Ele observou os reflexos no seu copo, com a melancolia aumentando. — Nós perdemos bons amigos em Xangai e em Hong Kong. Eu não poderei jamais perdoa-los pelo que fizeram na China, mas a vida continua, não é? A gente tem que enterrar o passado algum dia, embora seja bom conservar as cicatrizes.

— Comigo é a mesma coisa — Scragger deu de ombros. — Kasigi parece ser um bom sujeito.

— Onde ele está agora?

— No Kuwait. Ele vai voltar amanhã e eu tenho que levá-lo para Lengeh de manhã.

— Se você for até a Irã-Toda, acha que pode dar um jeito de se encontrar com Rudi? Quem sabe sondá-lo um pouco?

— Claro. É uma boa idéia, Andy

— Quando você estiver com Kasigi, diga-lhe que eu conheço o seu presidente.

— Claro, claro que sim. Eu poderia perguntar-lhe se.. — ele parou e olhou por cima do ombro de Gavallan: — Veja Andy, que colírio para os olhos!

Gavallan olhou em direção ao poente. O pôr-do-sol estava maravilhoso — vermelhos, roxos, marrons e dourados colorindo as nuvens distantes, o sol já quase todo sob o horizonte, colorindo de sangue as águas do golfo, a brisa fazendo tremular a luz das velas sobre as mesas postas para o jantar no terraço.

— Você tem razão, Scrag — disse imediatamente. — É a hora errada para se falar em coisas sérias, isso pode esperar. Não há nada no mundo que se compare a um pôr-do-sol.

— Hein? — Scragger olhou para ele sem compreender. — Pelo amor de Deus, eu não estava me referindo ao pôr-do-sol, eu estava me referindo à garota.

Gavallan suspirou. A garota era Paula Giancani, que tinha acabado de sair da piscina, com um biquíni mínimo, as gotas de água brilhando na sua pele cor de azeitona. Ela enxugou as pernas, os braços e as costas e tornou a enxugar as pernas, vestindo um roupão atoalhado, totalmente consciente de que não havia nenhum homem nas redondezas que não estivesse apreciando a sua performance — e nenhuma mulher que não estivesse com inveja - Você é um tremendo filho da mãe, Scrag

Scragger riu e carregou no sotaque

— E a minha única alegria na vida, seu bode velho! Cristo, essa Paula é demais!

Gavallan examinou-a.

— Bem, as garotas italianas geralmente têm algo de especial, mas esta jovem... ela não é uma beleza estonteante como Xarazade nem tem o mistério exótico de Azadeh, mas eu concordo, Paula é demais.

E como os demais, eles ficaram olhando enquanto ela caminhava por entre as mesas, acompanhada pelo desejo e pela inveja, até desaparecer no vasto saguão do hotel. Eles iam jantar todos juntos mais tarde, Paula, Genny, Manuela, Scragger, Gavallan, Sandor Petrofi e John Hogg. O jumbo da Alitalia de Paula estava outra vez em Dubai, a poucos quilômetros dali, aguardando autorização para seguir para Teerã e buscar mais um carregamento de italianos, e Genny

McIver tinha-se encontrado com ela por acaso, fazendo compras. Scragger suspirou.

— Andy, meu velho, não há dúvida de que eu gostaria de ir para a cama com ela.

— Não lhe faria o menor bem, Scrag.

Gavallan deu uma risada e pediu mais um uísque com soda a um garçom paquistanês sorridente, impecavelmente vestido, que veio na mesma hora. Alguns dos outros hóspedes já estavam elegante e luxuosamente vestidos para jantar, na última moda de Paris, com muitos decotes, dinner jackets brancos e engomados — junto com roupas mais esportivas e igualmente caras. Gavallan usava um terno de tropical bem cortado, Scragger estava de uniforme, camisa branca de manga curta com dragonas, calças e sapatos pretos.

— Cerveja, Scrag?

— Não, obrigado, companheiro. Eu vou acabar esta e me preparar para a Estonteante Paula.

— Sonhador! — Gavallan tornou a se virar na direção do pôr-do-sol, sentindo-se melhor, mais confiante, na companhia desse velho amigo. O sol já estava quase todo abaixo do horizonte, mais lindo do que nunca, fazendo-o lembrar dos entardeceres da China nos velhos tempos, levando-o de volta a Hong Kong e Kathy e Ian, para a alegria da Casa Grande do Penhasco, a família inteira forte e saudável, a casa deles num promontório em Shek-o, quando eles eram jovens e estavam todos juntos, Melinda e Scot ainda crianças, amahs indo e vindo, sampanas, traineiras e navios de todos os tamanhos lá embaixo, ao pôr-do-sol, num mar sem perigos.

O restinho de sol desapareceu sob o mar. Com grande solenidade, Gavallan bateu palmas baixinho.

— Por que isso, Andy?

— Hum? Oh, sinto muito, Scrag. Nos velhos tempos nós costumávamos aplaudir o sol, Kathy e eu, assim que ele desaparecia. Para agradecer ao sol por existir, pelo espetáculo ímpar e por estarmos vivos e podermos desfrutá-lo... aquele pôr-do-sol estava sendo visto pela última vez. Como hoje. Você nunca mais vai tornar a ver este pôr-do-sol. — Gavallan tomou um gole do seu uísque, admirando o entardecer. — A primeira pessoa que me fez pensar nisso foi um cara maravilhoso, nós nos tornamos grandes amigos... ainda o somos. Um grande homem, sua mulher também é formidável. Algum dia vou contar-lhe a respeito deles. — Ele virou as costas para o poente, inclinou-se e disse baixinho: — Lengeh, você acha que é possível?