Выбрать главу

— Eu nunca teria imaginado que Abu bin Talak fosse tão tarado — disse secamente.

O outro homem resmungou.

— Eles são todos tarados. Eu não teria imaginado que a garota fosse uma prostituta.

Os longos dedos de Aaron brincaram com a caneta, relutando em largá-la.

— Aparelhinho bom este, Glenn, poupa um bocado de tempo. Gostaria de ter tido um desses a mais tempo.

— A KGB lançou um novo modelo este ano, com um alcance de cem metros. — Glenn Wesson tomou um gole do seu bourbon com gelo. Ele era americano, um antigo negociante de petróleo. Sua profissão verdadeira era agente da CIA — Não é tão pequena quanto esta mas funciona.

— Você pode arranjar-nos algumas?

— É mais fácil você fazer isso. Faça os seus amigos pedirem a Washington. — Eles viram Gavallan desaparecer no saguão. — Interessante.

— O que você acha? — perguntou Aaron.

— Acho que poderíamos atirar uma companhia britânica de helicóptero aos lobos de Khomeini quando quiséssemos, junto com todos os seus pilotos. Isto faria Talbot ter um ataque, assim como Robert Armstrong e todo o M16, o que não é uma má idéia. — Wesson riu baixinho. — Talbot precisa de um bom susto de vez em quando. Qual é o problema com a S-G? Você acha que eles são uma operação disfarçada do M16?

— Não temos certeza do que eles estão tramando, Glenn. Nós suspeitamos exatamente do contrário, foi por isso que eu achei que deveríamos investigar. Coincidências demais. Aparentemente eles são legítimos, no entanto eles têm um piloto francês, Sessonne, que está dormindo com uma mensageira muito bem relacionada da OLP, Sayada Bertolin; eles têm um finlandês, Erikki Yokkonen, intimamente associado com Abdullah Khan, e este é com toda a certeza um agente duplo inclinando-se mais para a KGB do que para o nosso lado e que é franca e violentamente anti-semita; Yokkonen é muito amigo do homem do Serviço Secreto da Finlândia, Christian Tollonen, que é suspeito por definição, as ligações familiares de Yokkonen na Finlândia colocam-no na posição certa para ser um perfeito agente soviético disfarçado e nós acabamos de receber uma informação de que ele está lá em Sabalan com o seu 212, ajudando os soviéticos a desmontar todos os postos de radar de vocês.

— Jesus. Você tem certeza?

— Não. Eu disse que foi uma informação. Mas nós estamos checando. Em seguida, o canadense Lochart: Lochart é casado com uma moça de uma conhecida família anti-sionista de lojistas do bazar, agentes da OLP estão morando no seu apartamento atualmente, e...

— Sim, mas nós soubemos que o lugar foi confiscado e não se esqueça de que ele tentou ajudar aqueles oficiais pró-xá e pró-Israel a escapar.

— Sim, mas eles foram abatidos lá em cima, estão todos mortos e, curiosamente, ele está vivo. Valik e o general Seladi estariam certamente incluídos ou apoiando qualquer gabinete formado no exílio. Nós perdemos mais dois aliados muito importantes. Lochart é suspeito, sua mulher e a família dela são pró-Khomeini, o que significa contra nós. — Aaron sorriu sardonicamente. — Nós não somos o grande Satã depois de vocês? Depois: o americano Starke ajudou a sufocar um ataque fedayim a Bandar Delam, e se tornou muito amigo de outro feroz inimigo do xá e de Israel, o fanático Zataki que...

— Quem?

— Um inimigo do xá, intelectual, muçulmano sunita que organizou as greves dos campos de petróleo de Abadan, que explodiu três postos policiais e que agora está comandando o Komiteh Revolucionário de Abadan e que não deverá viver muito. Uma bebida?

— Claro, obrigado. O mesmo. Você mencionou Sayada Bertolin. Ela também está sendo vigiada por nós. Você acha que ela pode mudar de lado?

— Eu não confiaria nela. A melhor coisa a fazer com ela é simplesmente vigiá-la e ver a quem ela pode levar. Nós estamos atrás do seu controlador. Ainda não conseguimos identificá-lo. — Aaron pediu a bebida de Wesson e uma vodca para ele. — Vamos voltar à S-G. Então Zataki é um inimigo. Starke fala farsi, como Lochart. Ambos andam em más companhias. Depois vem Sandor Petrofi: dissidente húngaro com a família ainda morando na Hungria, outro agente em potencial da KGB ou pelo menos um instrumento da KGB Rudi Lutz, alemão, com família do outro lado da Cortina de Ferro, sempre um suspeito; Neuchtreiter, em Lengeh, a mesma coisa. — Ele fez um sinal para onde Scragger estivera sentado. — O velho é simplesmente um assassino treinado, um mercenário capaz de apontar para nós, para você, para qualquer um com o mesmo resultado. Gavallan? Você deveria mandar o seu pessoal em Londres vigiá-lo. Não se esqueça de que foi ele quem escolheu todos os outros, não se esqueça de que ele é britânico possivelmente a sua operação não passa de um disfarce para uma operação da KGB e...

— De jeito nenhum — disse Wesson, subitamente irritado. Maldição, pensou, por que esses sujeitos são tão paranóicos?, até o velho Aaron, que é um dos melhores. — É conveniente demais. De jeito nenhum.

— Por que não? Ele poderia estar enganando-os. Os britânicos são mestres nisso, como Philby, McLean, Blake e todo o resto.

— Como Crosse. — Os lábios de Wesson estreitaram-se. — Nisso você está certo, meu velho.

— Quem?

— Roger Crosse. Há uns dez anos atrás, o Senhor Espião-Mestre, mas morto e enterrado com toda a habilidade que os ingleses têm. Ele é um daqueles do clube dos Velhos Camaradas, o pior traidor de todos.

— Quem foi Crosse?

— O antigo patrão e amigo de Armstrong do Setor Especial de Hong Kong nos velhos tempos. Oficialmente um diretor sem importância do M16, mas na verdade o chefe das suas operações mais importantes, do Serviço Secreto Especial, traidor, executado pela KGB a seu próprio pedido pouco antes de o pegarmos.

— Vocês provaram isto? Que eles o executaram?

— Claro. Um dardo envenenado a curta distância, foi isso que o matou. Nós o havíamos encurralado, não havia nenhum modo dele poder escapar como os outros. Nós o tínhamos nas mãos, agente triplo. Nessa época, nós tínhamos um informante dentro da embaixada soviética em Londres, um cara chamado Brodnin. Ele nos entregou Crosse e desapareceu, pobre infeliz, alguém deve tê-lo entregue.

— Malditos britânicos, eles cultivam espiões como se fossem pulgas.

— Não é verdade, eles têm também alguns grandes pegadores. Todos nós temos traidores.

— Nós não temos.

— Não aposte nisso, Aaron. — Wesson disse com amargura. — Há traidores em toda parte. Com todos os vazamentos de informação que tem havido no Irã, antes e depois da saída do xá, tem que haver algum outro traidor muito bem posicionado do nosso lado.

— Talbot ou Armstrong? Wesson estremeceu.

— Se for um dos dois é melhor a gente pedir demissão.

— É isso que o inimigo quer que você faça, peça demissão e dê o fora do Oriente Médio. Mas nós não podemos fazer isso, por isso é que pensamos de modo diferente — disse Aaron, com os olhos escuros e frios, o rosto determinado, observando-o cuidadosamente. — Por falar nisso, por que o nosso velho amigo coronel Hashemi Fazir deveria escapar impune do assassinato do novo chefão da Savama, general Janan?

Wesson empalideceu.

— Janan está morto? Tem certeza?

— Uma bomba no carro, segunda à noite. — Os olhos de Aaron estreitaram-se. — Por que tanta tristeza? Ele era um dos seus?

— Poderia ter sido. Nós, ahn, estivemos negociando. — Wesson hesitou, depois suspirou. — Mas Hashemi ainda está vivo? Pensei que ele estivesse na lista de condenações prioritárias do Komiteh Revolucionário.

— Ele esteve, mas não está mais. Ouvi dizer esta manhã que o nome dele foi retirado, o seu posto confirmado, reintegrado no Serviço Secreto, tudo isto, supostamente, com a aprovação lá do alto.