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Aaron tomou um gole do seu drinque.

— Se ele está outra vez por cima, depois de tudo o que fez pelo xá e por nós, ele tem que ter um protetor muito forte.

— Quem? — Wesson viu o outro dar de ombros, examinando o terraço com os olhos. O seu sorriso desapareceu. — Isso pode significar que ele esteve trabalhando para Khomeini o tempo todo.

— Talvez. — Aaron tornou a brincar com a caneta-tinteiro. — Uma outra curiosidade. Na terça-feira, Hashemi foi visto embarcando no 125 da S-G junto com Armstrong, no aeroporto de Teerã; eles foram para Tabriz e voltaram três horas depois.

— Não é possível!

— O que significa tudo isso?

— Jesus, eu não sei, mas acho melhor descobrirmos. — Wesson baixou ainda mais a voz. — Uma coisa é certa, para Hashemi ter recuperado o prestígio, ele tem que saber onde estão enterrados cadáveres muito importantes, hein? Uma informação dessas seria muito valiosa... muito valiosa, digamos! para o xá.

— O xá? — Aaron esboçou um sorriso mas parou quando viu a expressão de Wesson. — Você não imagina seriamente que o xá tenha alguma chance de voltar, não é?

— Coisas mais estranhas têm acontecido, meu velho — disse Wesson, Confiantemente, e terminou o seu drinque. Por que será que esses caras não entendem o que está acontecendo no mundo?, pensou. Já estava na hora deles ficarem mais espertos, de pararem de só pensar em Israel, a OLP e o Oriente Médio, e dar-nos espaço para manobrar. — É claro que o xá tem uma chance, embora a chance do seu filho seja maior. Assim que Khomeini estiver morto e enterrado, haverá uma guerra civil, o exército assumirá e eles precisarão de um governante. Reza daria um bom monarca constitucional.

Aaron Ben Aaron disfarçou com dificuldade a sua descrença, espantado por Wesson ser tão ingênuo. Depois de todos os anos que você passou no golfo e no Irã, pensou, como consegue se enganar tanto a respeito das forças que estão destruindo o Irã? Se ele fosse um homem diferente, teria xingado Wesson pela estupidez que ele representava, deixando de perceber as centenas de sinais de alarme, as montanhas de relatórios do serviço secreto, reunidos a custa de tanto sangue e deixados de lado sem serem lidos, os anos de súplicas a políticos, generais e serviços de espionagem — americanos e iranianos — avisando-os da revolução que estava se formando.

Tudo sem resultado. Durante anos e anos. É a Vontade de Deus, pensou Deus não quer que as coisas sejam fáceis para nós. Fáceis? Ao longo de toda a história, as coisas nunca foram fáceis para nós. Nunca.

Ele viu Wesson observando-o.

— O quê?

— Espere e verá. Khomeini é um homem velho, não vai durar até o fim do ano. Ele está velho e o tempo está a nosso favor. Espere e verá.

— Vou esperar. — Aaron desistiu de discutir. — Enquanto isso, o problema que temos nas mãos é o seguinte: a S-G poderia ser uma fachada para células inimigas. Pensando bem, pilotos de helicóptero especializados em apoiar a indústria de petróleo seriam trunfos valiosos para todo tipo de sabotagens, se as coisas piorarem.

— Claro. Mas Gavallan quer sair do Irã. Você ouviu.

— Talvez ele soubesse que estávamos ouvindo, ou seja uma cilada que ele está armando.

— Vamos, Aaron. Eu acho que ele está limpo, e o resto é coincidência. — Wesson suspirou. — Está bem, eu vou mandar vigiá-lo e ele não vai nem cagar sem você ficar sabendo, mas que diabo, meu velho, os seus amigos vêem inimigos até debaixo da cama, no telhado e debaixo do tapete.

— Por que não? Eles estão em toda parte: conhecidos, desconhecidos, ativos e passivos. — Aaron observava metodicamente à sua volta, checando os recém-chegados, esperando por inimigos, consciente da multidão de agentes inimigos em Al Shargaz e no golfo. E nós sabemos que há inimigos aqui, na cidade velha e na nova, subindo a estrada para Omã e descendo para Dubai, Bagdá e Damasco, para Moscou, Paris e Londres, do outro lado do mar em Nova York, indo para o sul em direção aos dois cabos, e para o norte em direção ao Círculo Ártico, onde quer que existam pessoas que não são judias. Só um judeu não é automaticamente suspeito e mesmo assim, hoje em dia, você precisa ser cuidadoso.

Há muitos entre os escolhidos que não querem o sionismo, que não querem ir para a guerra nem pagar por ela, que não querem entender que Israel está pendurado na balança junto com o xá, o nosso único aliado no Oriente Médio e o único fornecedor da OPEP para os nossos tanques e aviões e que foi posto para fora, não querem saber que as nossas costas estão voltadas para o Muro das Lamentações e que nós temos que lutar e morrer para proteger a nossa terra sagrada de Israel, que recuperamos à custa de tantos sacrifícios, com a ajuda de Deus.

Ele olhou para Wesson, com amizade, perdoando-o pelos seus erros, admirando-o como profissional, mas com pena dele: ele não era um judeu e portanto era suspeito.

— Eu estou contente por ter nascido judeu, Glenn. Isso torna a vida muito mais fácil.

— Como?

— Você sabe onde está pisando.

NA DISCO TEX, HOTEL SHARGAZ: 23:52H. Americanos, britânicos e franceses dominavam a sala — com alguns japoneses e outros asiáticos. A maioria era européia, com muito mais homens do que mulheres, as idades variando entre 25 e 45 anos: a mão-de-obra estrangeira do golfo tinha que ser jovem, forte e de preferência solteira, para sobreviver à vida dura e solitária. Alguns bêbados, outros barulhentos. Feios e não tão feios, gordos e não tão gordos, a maioria deles elegantes, frustrados e vulcânicos. Alguns de Shargaz e de outras partes do golfo, mas só os ricos, os ocidentalizados, os sofisticados e os homens. Esses, em sua maioria, estavam sentados no nível superior tomando refrigerantes e apreciando as mulheres, e os poucos que dançavam, no pequeno salão lá embaixo, o faziam com mulheres européias: secretárias, funcionárias de embaixadas, enfermeiras ou funcionárias do hotel — muito disputadas. Nenhuma mulher árabe ou de Shargaz ia lá.

Paula estava dançando com Sandor Petrofi, Genny com Scragger e Johnny Hogg estava de rosto colado com a moça com quem estivera conversando no terraço, dançando bem devagar.

— Quanto tempo você vai ficar aqui, Alexandra? — murmurou.

— Até a próxima semana, só até a próxima semana. Depois eu preciso me encontrar com meu marido, no Rio.

— Oh, mas você é tão jovem para ser casada! Você vai ficar aqui sozinha?

— Sim, sozinha, Johnny. É triste, não?

Ele não respondeu, apenas apertou-a um pouco mais e agradeceu a sorte de ter apanhado o livro que ela deixara cair no saguão. As luzes estroboscópicas o deixaram tonto por um momento, depois viu Gavallan no nível superior, em pé perto da grade, pensativo e mais uma vez sentiu pena dele. Mais cedo, providenciara para ele, relutantemente, o vôo noturno para Londres, tentando persuadi-lo a descansar mais um dia.

— Eu sei como os atrasos dos aviões o prejudicam, senhor.

— Não há problema, Johnny, obrigado. A nossa partida para Teerã ainda está marcada para as dez horas?

— Sim, senhor. Ainda temos prioridade para decolar. Assim como o vôo para Tabriz.

— Vamos torcer para que corra tudo bem, e possamos chegar lá e voltar imediatamente.

John Hogg sentiu o corpo da moça de encontro ao seu.

— Você quer jantar amanhã? Eu devo estar de volta lá pelas seis.

— Talvez. Mas não antes das nove.

— Perfeito.

Gavallan olhava os pares que dançavam, mal enxergando-os, depois virou-se, desceu a escada e saiu para o terraço. A noite estava linda, uma lua enorme, sem nuvens. Em volta havia uma grande extensão de jardins bem tratados, delicadamente iluminados, cercados de muros, com alguns dos chafarizes ligados.

O Shargaz era o maior hotel do país, de um lado o mar, do outro o deserto, sua torre tinha 18 andares, com cinco restaurantes, três bares, salão para coquetéis, café, discoteca, duas piscinas, saunas, salas de vapor, quadras de tênis, salão de ginástica, um local para compras com uma dúzia de butiques e antiquários, uma loja de tapetes Aaron, salões de cabeleireiros, uma sala de vídeo, padaria, jogos eletrônicos, escritórios de telex, um grupo de datilógrafas e, como todos os modernos hotéis europeus, todos os quartos tinham ar-condicionado, banheiros completos, serviço de quarto 24 horas por dia — geralmente feito por sorridentes paquistaneses — lavagem de roupa para o mesmo dia, serviço instantâneo de passar roupa, uma TV a cores em todos os quartos, cinema, um canal ligado com o mercado de ações e ligações por satélite com todas as capitais do mundo.