— Ele o quê?
— Foi uma operação secreta. Ele é um capitão dos gurkhas... o nome é Ross, John Ross, ele c Azadeh estavam bastante incoerentes, Nogger também estava um bocado nervoso, e, bem, pelo menos eles estão seguros agora... — A voz de McIver falseou. — Sinto dizer que perdemos um mecânico em Zagros, Effer Jordon, ele levou um tiro e...
— Jesus Cristo! O velho Effer está morto?
— Sim... sim, temo que sim e o seu filho foi atingido... nada de grave — McIver acrescentou apressadamente ao ver Gavallan empalidecer. — Scot está bem, ele...
— Como foi?
— A bala entrou na carne do ombro direito. Nenhum osso foi atingido, foi só uma ferida na carne. Jean-Luc disse que eles têm penicilina, um médico e a ferida está limpa. Scot não poderá pilotar o 212 amanhã para Al Shargaz, então eu pedi a Jean-Luc para fazê-lo e levar Scot com ele, depois voltar para Teerã no próximo vôo do 125 e então nós o faremos voltar para Kowiss.
— Que diabo aconteceu?
— Não sei exatamente. Recebi uma mensagem atrasada de Starke, esta manhã, e ele tinha acabado de receber a notícia de Jean-Luc. Parece que há terroristas agindo em Zagros, suponho que seja o mesmo bando que atacou
Bellissima e Rosa, eles deviam estar emboscados na floresta ao redor da nossa base. Effer Jordon e Scot estavam levando peças para embarcar no 212 logo depois do amanhecer e foram atingidos. O pobre Effer levou a maior parte dos tiros, e Scot apenas um... — Mais uma vez McIver acrescentou apressadamente, vendo a expressão de Gavallan: — Jean-Luc me assegurou que Scot está bem, Andy, juro por Deus.
— Eu não estava pensando só em Scot — Gavallan falou sombriamente. — Effer estava conosco desde o começo. Ele não tem três filhos?
— Sim, sim, tem. É terrível. — McIver engrenou e saiu com o carro através da neve, em direção ao escritório. — Eles ainda estão no colégio, eu acho.
— Vou fazer algo por eles assim que voltar. Continue e falar sobre Zagros.
— Não há muito mais o que dizer. Tom Lochart não estava lá. Ele teve que passar a noite em Kowiss na sexta-feira. Jean-Luc disse que eles não viram nenhum dos atacantes, ninguém viu, os tiros saíram da floresta. A base está um caos com os nossos aparelhos fazendo hora-extra, trazendo homens das plataformas e transportando-os em grupos para Shiraz, todo mundo se matando de trabalhar para tirar tudo antes do prazo finaclass="underline" amanhã ao pôr-do-sol.
— Eles vão conseguir?
— Mais ou menos. Vamos tirar todos os nossos operários e companheiros, a maior parte das peças mais valiosas e todos os helicópteros e mandá-los para Kowiss. O equipamento de apoio da plataforma terá que ser deixado, mas isso não é responsabilidade nossa. Deus sabe o que vai acontecer com a base e as plataformas, sem manutenção.
— Vai tudo voltar a ser um deserto.
— Vai mesmo, que maldito desperdício! Que estupidez! Eu perguntei ao coronel Fazir se havia algo que ele pudesse fazer. O filho da mãe apenas deu aquele seu sorriso safado e disse que já era difícil descobrir o que estava acontecendo no escritório ao lado em Teerã, imagine lá no sul. Eu perguntei a ele sobre o komiteh no aeroporto, se eles não poderiam ajudar? Ele disse que não, que os komitehs não têm quase nenhuma ligação com ninguém, nem mesmo em Teerã. Ele disse exatamente o seguinte: "Lá em Zagros, no meio de nômades semicivilizados e nativos, a menos que você tenha armas, que seja iraniano, de preferência um aiatolá, o melhor que você tem a fazer é obedecer." — McIver tossiu e assou o nariz com irritação. — O desgraçado não estava rindo de nós, Andy. Mas também não estava infeliz.
Gavallan sentia-se desanimado, tantas perguntas a serem respondidas, tudo ameaçado, aqui e em casa. Uma semana até o dia fatal, Graças a Deus que Scot... pobre Effer... Meu Deus, Scot ferido! Ele olhou sombriamente para fora e viu que estavam se aproximando da área de carga.
— Pare o carro um minuto, Mac, é melhor conversar em particular, não?
— Desculpe, sim, eu não estou raciocinando com clareza.
— Você está bem, isto é, a sua saúde?
— Oh, estou ótimo, se ao menos eu conseguisse me livrar dessa tosse... É só que... é só que estou com medo. — McIver disse isso sem se alterar, mas o fato dele admitir isso perturbou Gavallan. — Eu estou descontrolado, já perdi um homem, há o problema do HBC como uma espada sobre as nossas cabeças, o velho Erikki está em perigo, todos nós estamos em perigo, a S-G e tudo o que lutamos para construir. — Ele brincou com a direção. — Gen está bem?
— Sim, está — Gavallan respondeu pacientemente, preocupado com ele. Era a segunda vez que respondia a essa pergunta. McIver havia-lhe perguntado isso assim que ele descera os degraus do 125. — Genny está ótima, Mac — respondeu, repetindo o que já dissera antes. — Estou trazendo uma carta dela, ela conversou com Hamish e com Sarah, as duas famílias estão bem e o jovem Angus já tem o seu primeiro dente. Está tudo bem em casa e eu estou com uma garrafa de Loch Vay na minha maleta, que ela mandou para você. Ela tentou entrar no 125 sem que Johnny Hogg percebesse, para se esconder no banheiro, mesmo depois de eu ter dito que não. — Pela primeira vez ele viu a sombra de um sorriso no rosto de Mac.
— Genny é intratável, não há dúvida. Estou contente que ela esteja lá e não aqui, muito contente, mas é estranho como sentimos falta delas. — McIver ficou olhando para a frente. — Obrigado, Andy.
— De nada. — Gavallan pensou por um momento. — Por que mandar o Jean-Luc levar o 212? Por que não Tom Lochart? Não seria melhor tirá-lo daqui?
— É claro, mas ele não sai do Irã sem Xarazade... este é outro problema.
— A música do cassete acabou e ele pôs para tocar o outro lado. — Eu não consigo encontrá-la. Tom estava preocupado com ela, pediu-me para ir até a casa da família dela perto do bazar, o que fiz. Não obtive resposta, não parecia haver ninguém lá, Tom tem certeza que ela foi à Marcha de Protesto das mulheres.
— Cristo! Nós soubemos dos tumultos e das prisões pela BBC, e das agressões de uns loucos contras algumas das mulheres. Será que ela foi presa?
— Espero que não. Você soube do que aconteceu com o pai dela? Oh, é claro que sim, eu mesmo lhe contei da última vez que você esteve aqui, não foi? — McIver limpou distraidamente o vidro da frente. — O que você quer fazer? Esperar aqui até o avião voltar?
— Não. Vamos para Teerã. Nós temos tempo? — Gavallan deu uma olhada no relógio. Eram 12:25h.
— Oh, sim. Nós temos uma carga de 'mercadorias supérfluas' para embarcar. Dará tempo se formos agora.
— Ótimo. Eu gostaria de ver Azadeh e Nogger, e este homem, Ross, e principalmente Talbot. Poderíamos passar pela casa dos Bakravan para ver se temos sorte. O que acha?
— Boa idéia. Estou contente que esteja aqui, Andy, muito contente. — Ele engrenou o carro e saiu, com as rodas derrapando.
— Eu também, Mac. Na verdade, eu também nunca estive tão deprimido. McIver tossiu e pigarreou.
— As notícias de casa são muito ruins?
— Sim. — Gavallan limpou lentamente o vidro da janela do seu lado com as costas da luva. — Vai haver uma reunião especial de diretoria da Struan's na segunda-feira. Eu terei que aparecer com respostas a respeito do Irã. Uma chateação!
— Linbar estará lá?
— Sim. Aquele desgraçado vai arruinar a Casa Nobre antes de sair. É uma burrice expandir a companhia para a América do Sul quando a China está prestes a se abrir.
McIver franziu a testa ao perceber a tensão na voz de Gavallan, mas não disse nada. Há muito que sabia da rivalidade e do ódio que existia entre eles, das circunstâncias da morte de David MacStruan e da surpresa de todo mundo em Hong Kong por Linbar ter conseguido o posto mais alto. Ele ainda tinha muitos amigos na colônia que lhe enviavam recortes com os últimos boatos ou fofocas — a alma de Hong Kong — sobre a Casa Nobre e seus rivais. Mas ele nunca os discutira com o amigo.