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— Com duas condições, Mac: você me consultará antes de cancelar, da mesma forma que eu o consultarei antes de decidir sim ou não, e segundo, se não conseguirmos no dia D, tornaremos a tentar em D mais um e D mais dois.

— Está bem. — McIver deu um profundo suspiro. — Fase Três: na madrugada do dia D, ou D mais um ou D mais dois, três dias é o máximo que eu acho que podemos arriscar, nós enviaremos pelo rádio uma mensagem em código que significará 'Vá!' As três bases deverão indicar que receberam a mensagem e, imediatamente, todos os aparelhos deverão decolar e dirigir-se para Al Shargaz. Deverá haver uma diferença de quatro horas entre a chegada de Scrag e a chegada do último aparelho, provavelmente o de Duke, se tudo correr bem. Assim que os aparelhos pousarem em qualquer lugar fora do Irã, nós substituiremos os registros iranianos por registros britânicos e estaremos legais. Assim que pousarem em Al Shargaz, os 747 serão carregados e decolarão com todo mundo a bordo. — McIver soltou o ar. — Simples.

Gavallan não respondeu imediatamente, examinando o plano, procurando os furos — a grande quantidade de riscos.

— Está bom, Mac.

— Não está, Andy, não está nada bom.

— Eu estive com Scrag ontem e tivemos uma longa conversa. Ele diz que para ele Turbilhão é possível e ele participa se pudermos realizá-lo. Disse que sondaria os outros durante o fim-de-semana e se comunicaria comigo, mas tinha certeza de que no dia marcado poderia retirar os seus aparelhos e os rapazes.

McIver balançou a cabeça mas não disse mais nada, apenas continuou a guiar, as ruas cobertas de gelo e perigosas, enfíando-se por ruazinhas para evitar as vias principais que sabia estarem congestionadas.

— Não estamos muito longe do bazar agora.

— Scrag disse que talvez pudesse ir até Bandar Delam nos próximos dias, conversar com Rudi e sondá-lo. Cartas são muito arriscadas. Por falar nisso, ele me deu um bilhete para você.

— O que está escrito, Andy?

Gavallan apanhou a sua maleta no banco de trás. Encontrou o envelope e colocou os óculos.

— Está endereçado a: "D.D. capitão McIver, Esq."

— Qualquer dia eu vou lhe dar uma lição por causa do seu maldito 'Dirty Duncan' — disse McIver. — Leia para mim.

Gavallan abriu o envelope, tirou o papel que tinha um outro preso nele e resmungou.

— A carta diz apenas: "Foda-se." Junto vem um relatório médico... — Deu uma olhada nele — ... assinado pelo dr. G. Gernin, consulado da Austrália, Al Shargaz. O velho filho da mãe está com o colesterol normal, sua pressão arterial é 13 por 8, açúcar normal... tudo normal e tem um P.S. na letra de Scrag: "Eu vou te dar um porre no meu aniversário, quando eu fizer 73 anos, seu velho corno!"

— Espero que sim, mas ele não vai conseguir, o tempo não está do lado dele. Ele... — McIver freou cuidadosamente. A rua ia dar na praça em frente à mesquita do bazar, mas a saída estava bloqueada por homens aos gritos, alguns sacudindo armas. Não havia nenhuma maneira de voltar ou desviar, então McIver diminuiu a marcha e parou. — São as mulheres de novo — disse, ao ver a demonstração mais adiante, com gritos e manifestações de violência. O tráfego dos dois lados da rua engarrafou imediatamente, com as buzinas tocando raivosamente. Não havia calçadas, só as costumeiras valas cheias de detritos e neve, umas poucas barracas de rua e pedestres.

Eles estavam bloqueados de todos os lados. Os assistentes começaram a juntar-se aos que estavam mais adiante, invadindo a rua, no meio dos carros e caminhões. Entre eles, havia garotos e rapazes, e um deles fez um gesto grosseiro para Gavallan pela janela lateral, um outro chutou o pára-lama e depois saíram correndo, rindo.

— Malditos filhos da mãe — McIver podia vê-los pelo espelho, com outros jovens se juntando em volta deles. Mais homens passaram, mais olhares hostis, e alguns bateram nos lados do carro com suas armas. Lá na frente, o grupo de mulheres gritando "Allah-u Akbarrr"... estava passando pela esquina.

O barulho de uma pedra batendo no carro os assustou, por pouco não atingindo a janela, depois o carro inteiro começou a balançar quando os garotos o cercaram, pulando para cima e para baixo nos pára-choques, fazendo mais gestos obscenos. A raiva de McIver explodiu e ele abriu violentamente a porta, atirando no chão uns dois garotos, depois saltou e avançou para o grupo, que se espalhou imediatamente. Gavallan saltou com a mesma rapidez, avançando contra os que estavam tentando virar o carro por trás. Agarrou um deles e o atirou longe. A maioria recuou, escorregando e gritando, em meio aos xinga-mentos de pedestres, mais dois dos maiores atacaram Gavallan por trás. Ele os viu avançando e socou um no peito, empurrou o outro de encontro a um caminhão, deixando-o sem ação, e o motorista do caminhão riu e bateu na carroceria. McIver respirava com força. Os garotos estavam fora do seu alcance, gritando obscenidades.

— Cuidado, Mac!

McIver se abaixou. A pedra por um triz não o atingiu na cabeça e foi bater num caminhão e os garotos, dez ou doze deles, avançaram. Não havia nenhum lugar para onde McIver pudesse ir, e ele ficou firme ao lado do capô e Gavallan encostou as costas no carro, também preparado. Um dos garotos avançou para Gavallan com um pedaço de pau levantado como um cassetete enquanto outros três atacaram pelos lados. Ele se esquivou mas o pau atingiu seu ombro de raspão; ele prendeu a respiração, atirou-se sobre o garoto, atingiu-o no rosto, escorregou e caiu deitado na neve. Os outros vieram correndo para o linchamento. De repente, eleja não estava mais na neve, cercado de pés que chutavam, mas estava sendo ajudado a se levantar. Um Faixa Verde armado o ajudava, os garotos estavam encostados no muro sob a mira de outro, um velho mulá ali perto gritava com eles, zangado, pedestres os cercavam. Apalermado, viu que McIver também estava mais ou menos ileso perto da frente do carro, depois o mulá veio até ele e falou em farsi.

— Man zaban-e shoma ra khoob nami danam, Agha.

— Desculpe, mas não falo a sua língua, Excelência — disse Gavallan, com dor no peito.

O mulá, um velho de barba e turbante brancos e vestes pretas, virou-se e gritou por cima do barulho dos espectadores e das pessoas dos outros carros.

Relutante, um dos motoristas saltou, se aproximou e cumprimentou o mulá com deferência, ouviu o que ele disse, depois falou com Gavallan num inglês bom embora um pouco hesitante:

— O mulá diz que os garotos erraram em atacá-lo, aga, e que desobedeceram à lei, e que o senhor não estava desobedecendo a nenhuma lei nem os estava provocando.

Mais uma vez ele ouviu o que o mulá dizia, depois tornou a voltar-se para Gavallan e McIver.

— Ele quer que vocês saibam que a República Islâmica é obediente às leis eternas de Deus. Os garotos desobedeceram à lei que proíbe que se ataquem estrangeiros desarmados que estão pacificamente ocupando-se dos seus negócios. — O homem, barbado, de meia-idade, com as roupas gastas, voltou-se para o mulá que agora se dirigia em voz alta à multidão e aos garotos e houve aprovação e concordância por parte de todos. — Vocês são testemunhas de que a lei é cumprida, os culpados são punidos e a justiça é feita imediatamente.

O castigo são cinqüenta chicotadas, mas primeiro os garotos vão pedir perdão a vocês e a todos os outros que se encontram aqui.

Em meio ao tumulto da demonstração que acontecia ali ao lado, os garotos aterrorizados foram empurrados e chutados para perto de McIver e de Gavallan, foram colocados de joelhos e pediram perdão servilmente. Depois foram colocados contra o muro e açoitados com chicotes de carroceiros oferecidos prontamente pela multidão que assistia interessada. O mulá, os dois Faixas Verdes e outros escolhidos pelo mulá fizeram cumprir a lei. Sem piedade.