Выбрать главу

— Você é um chauvinista, você que compreende. — A temperatura da água estava perfeita. Ela tirou a jaqueta de esqui. — Vamos tomar banho juntos.

— Ótimo, conte-me sobre os papéis.

— Depois. — Ela se despiu sem nenhuma vergonha e ele fez o mesmo, ambos excitados mas pacientes, pois eles eram amantes confiantes, amantes há três anos, no Líbano, na Palestina e aqui em Teerã. E eles ensaboaram-se e brincaram um com o outro, cada vez mais intimamente e mais sensualmente e mais eroticamente até que ela gritou e tornou a gritar e então, no momento em que ele a penetrou, eles se fundiram perfeitamente, com uma urgência cada vez maior, implodindo juntos. Depois, mais tarde, em paz juntos, deitados na cama, com o cobertor elétrico os agasalhando, ela perguntou, sonolenta, com um grande suspiro:

— Que horas são?

— Hora de amar.

Calmamente ela estendeu a mão para ele e ele recuou, despreparado, protestando, depois tomou-lhe a mão e abraçou-a.

— Ainda não, nem mesmo com você, meu amor! — ela disse, satisfeita, nos braços dele.

— Cinco minutos.

— Nem daqui a cinco horas, Teymour.

— Uma hora..

— Duas horas — ela disse sorrindo. — Dentro de duas horas você estará pronto outra vez, mas então eu não estarei aqui. Você terá que levar para a cama uma das prostitutas dos seus soldados. — Ela abafou um bocejo, depois espreguiçou-se como um gato. — Oh, Teymour, você é um amante maravilhoso, maravilhoso. — Depois ela escutou um ruído. — Foi o chuveiro?

— Sim, eu o deixei correndo. Que luxo, hein?

— Sim, mas é também um desperdício.

Ela deslizou para fora da cama e fechou a porta do banheiro, usou o bidê, depois entrou no chuveiro e cantou para si mesma enquanto lavava os cabelos, depois se enrolou numa fina toalha, secou o cabelo com um secador elétrico e quando voltou, esperava encontrá-lo adormecido. Mas ele não estava dormindo. Estava deitado na cama com a garganta cortada. O cobertor que o cobria estava empapado de sangue, seus testículos cortados estavam arrumados no travesseiro ao lado dele e dois homens estavam ali olhando para ela. Ambos estavam armados, com os revólveres munidos de silenciadores. Pela porta aberta do quarto, ela viu um outro homem de guarda na porta da frente.

— Onde está o resto dos papéis? — um dos homens disse num inglês com um sotaque estranho, o revólver apontado para ela.

— No... no Clube Francês.

— Em que lugar do Clube Francês?

— Num armário. — Ela estava há muitos anos na OLP e era muito experiente para entrar em pânico. Seu coração batia lentamente e ela tentava decidir o que fazer antes de morrer. Havia uma faca em sua bolsa, mas ela tinha deixado a bolsa na mesinha-de-cabeceira e agora ela estava em cima da cama, com o seu conteúdo espalhado, e não havia nenhuma faca. Não havia nenhuma arma por perto para ajudá-la. Nada a não ser o tempo. Ao entardecer os outros voltariam. Mas ainda não estava perto do entardecer. — Na seção de senhoras — acrescentou.

— Em que armário?

— Não sei. Não há números e o costume é entregar o que se quer guardar para a atendente; assina-se o nome no livro que ela rubrica e ela devolve seja lá o que for quando se pede. Mas só para a própria pessoa.

O homem olhou para o outro que balançou a cabeça de leve. Os dois homens tinham cabelos e olhos escuros, usavam bigodes e ela não conseguiu localizar o sotaque. Eles podiam ser iranianos, árabes ou judeus — e de qualquer lugar, desde o Egito até a Síria ou o Iêmen.

— Vista-se. Se você tentar alguma coisa, não irá para o inferno sem dor como este homem. Nós não o acordamos antes. Está claro?

— Sim. — Sayada voltou e começou a se vestir. Ela não tentou se esconder. O homem ficou na porta e observou-a cuidadosamente, não o seu corpo, mas as suas mãos. Eles são profissionais, pensou, sentindo-se mal.

— Onde você conseguiu os papéis?

— De alguém chamado Ali. Eu nunca o havia visto antes...

— Pare! — A palavra soou cortante como uma faca embora tenha sido dita em voz baixa. — Da próxima vez que você mentir para nós, eu vou cortar fora o lindo bico do seu seio e vou fazê-la comê-lo, Sayada Bertolin. Uma mentira só, para experimentar, está perdoada. Mas nunca mais. Continue.

Ela agora estava com medo.

— O nome do homem era Abdullah bin Ali Sabá, e hoje de manhã ele foi comigo até o velho prédio perto da universidade. Ele mostrou o caminho até o apartamento e nós procuramos onde nos tinham mandado.

— Quem tinha mandado?

— A 'Voz'. A voz no telefone. Eu só o conheço como uma voz. De vez em quando ele liga para mim com instruções especiais.

— E como você o reconhece?

— Pela sua voz, e há sempre um código. — Ela enfiou o suéter pela cabeça e agora estava vestida, exceto pelas botas. A automática com o silenciador não se movera. — O código é que ele sempre menciona o dia anterior de uma forma ou de outra nos primeiros minutos, qualquer que seja o dia.

— Continue.

— Nós revistamos debaixo do assoalho e encontramos o materiaclass="underline" cartas, fichas e alguns livros. Eu os coloquei na bolsa e fui para o Clube Francês e... e então, como a alça da bolsa arrebentou, eu deixei a metade lá e vim.

— Quando foi que você conheceu o homem, Dimitri Yazernov?

— Eu não o conheci, apenas me mandaram ir lá com Abdullah e me certificar de que ninguém estava observando, para encontrar os papéis e entregá-los a Teymour.

— Por que Teymour?

— Eu não perguntei, eu nunca pergunto.

— Inteligente de sua parte. O que Teymour faz... fazia?

— Eu não sei exatamente, a não ser que ele era um iraniano, treinado como um Combatente da Liberdade pela OLP.

— Que ramo?

— Não sei. — Por trás do homem, ela conseguia enxergar o quarto, mas manteve os olhos longe da cama e no homem que sabia demais. Pelo interrogatório, eles podiam ser agentes da Savama, da KGB, da CIA, do M16, de Israel, da Jordânia, da Síria, do Iraque, até mesmo dos grupos extremistas da OLP que não reconheciam Arafat como líder. Qualquer um deles gostaria de se apoderar do conteúdo do cofre do embaixador dos Estados Unidos.

— Quando é que o francês, seu amante, volta?

— Não sei — disse imediatamente, deixando transparecer a sua surpresa.

— Onde ele está agora?

— Na sua base, em Zagros. Ela é chamada de Zagros Três. — Onde está o piloto Lochart?

— Eu acho que também está em Zagros.

— Quando é que ele volta para cá?

— Você quer dizer para cá? Para este apartamento? Eu acho que ele não vai mais voltar para cá.

— Para Teerã?

Seus olhos desviaram-se para o quarto apesar dela ter tentado resistir e ela viu Teymour. O seu estômago revirou, ela agarrou o vaso sanitário e vomitou violentamente. O homem observou sem emoção, satisfeito de que uma das suas barreiras tivesse sido rompida. Ele estava acostumado a que os corpos reagissem espontaneamente ao terror. Ainda assim, continuou a cobri-la com o revólver e ficou olhando cautelosamente, com medo de que fosse um truque.

Quando o espasmo passou, ela limpou a boca com um pouco d'água, tentando dominar a náusea, xingando Teymour por ter sido tão estúpido a ponto de mandar os outros embora. Estúpido! Teve vontade de berrar, uma coisa estúpida quando você está cercado de inimigos da direita, da esquerda e do centro. Eu alguma vez me importei de fazer amor quando havia outras pessoas em volta, contanto que a porta estivesse fechada? Ela tornou a se recostar na pia, encarando o seu destino.

— Primeiro nós vamos ao Clube Francês — ele disse. — Você vai apanhar o resto do material e me entregar. Está claro?

— Sim.

— De agora em diante você vai trabalhar para nós. Secretamente. Você vai trabalhar para nós. De acordo?

— Eu tenho escolha?

— Sim. Você pode morrer. Sofrendo. — Os lábios do homem estreitaram-se ainda mais e os seus olhos se tornaram venenosos. — Depois que você morrer, uma criança chamada Yassar Bialik receberá a nossa atenção.