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— Não fui bastante rápido, sahib — murmurou, satisfeito, em gurkhali. — Poderia tê-lo apanhado antes. — Levantou a cabeça decepada e sorriu radiante. — Trago-lhe um presente.

Era a primeira que Ross via. Os olhos estavam abertos. O terror ainda contorcia o rosto do velho. Gueng matou-o, mas fui eu que dei a ordem, pensou, desgostoso. Será que ele era apenas um velho apavorado que queria escapar enquanto havia tempo? Ou seria um espião ou um traidor correndo para entregar-nos ao inimigo?

— O que foi, sahib! — murmurou Gueng, com a testa franzida.

— Nada. Ponha a cabeça no chão.

Gueng atirou-a para o lado. A cabeça rolou um pouco pela ladeira e depois parou.

— Eu o revistei, sahib, e encontrei isto. — Entregou-lhe um amuleto. — Estava em volta do pescoço dele, e isto — entregou-lhe uma pequena bolsa de couro —, isto estava pendurado no saco dele.

O amuleto era apenas uma pedra azul barata, usada contra o mau-olhado. Dentro do pequeno saco havia um cartão plastificado. Ross examinou-o e seu coração quase parou. Neste momento ouviram outro som agudo, numa nota diferente. Imediatamente, apanharam as armas e correram para a boca da caverna, sabendo que Tenzing lhes enviava o sinal de que estava tudo bem e que deviam apressar-se. Dentro da caverna a escuridão pareceu ainda maior mas quando seus olhos se acostumaram, viram uma réstia de luz. Era uma lanterna, com o foco parcialmente coberto.

— Aqui, capitão. — Embora isso fosse dito baixinho, a voz de Rosemont ecoou alto. — Por aqui. — Ele os conduziu para o interior da caverna e quando teve certeza de que era seguro, acendeu a lanterna, iluminando as paredes de pedra e tudo em volta, para tomar conhecimento do terreno. — Vocês podem usar as lanternas. — A caverna era imensa, com muitos túneis e passagens que davam para o exterior, alguns naturais, alguns construídos, e o teto de pedra ficava a uns 15 metros de altura. — Esta é a área de descarga — disse. Quando encontrou o túnel que estava procurando, iluminou-o com a lanterna. No final do túnel, havia uma pesada porta de aço, entreaberta. — Deveria estar trancada — cochichou, com a voz rouca. — Não sei se a deixaram assim ou não, mas é por ali que nós temos que passar.

Ross fez um sinal para Tenzing. No mesmo instante, ele empunhou o kookri e avançou, desaparecendo lá dentro. Automaticamente, Ross e Gueng assumiram posições defensivas. Contra quem? Ross perguntou a si mesmo, sentindo-se desamparado e preso numa armadilha. Poderia haver cinqüenta homens escondidos num desses túneis.

Os segundos se arrastavam. Mais uma vez eles ouviram aquele som agudo. Ross avançou na frente e passou pela porta, seguido por Gueng e depois por Rosemont. Quando Rosemont transpôs a porta, viu que Tenzing tomara posição ali perto e cobria o avanço deles. Fechou a porta e acendeu as luzes. A súbita claridade fez os outros perderem o fôlego.

— Aleluia! — exclamou Rosemont, visivelmente aliviado. — Os chefões calcularam que se os geradores ainda estivessem funcionando, nós teríamos uma boa chance. Esta porta é à prova de luz. — Correu os pesados ferrolhos e pendurou a lanterna no cinto.

Estavam em outra caverna, muito menor, que fora adaptada, o chão tinha sido nivelado e atapetado, as paredes eram mais lisas. Era uma espécie de ante-sala, com mesas, telefones e lixo por toda parte.

— Os caras não perderam mesmo tempo em dar o fora, hein? — disse com amargura, dirigindo-se rapidamente para um outro túnel, atravessando-o e entrando em outra caverna com mais mesas, algumas telas de radar e mais telefones, cinzentos e verdes.

— Os cinzentos são internos, os verdes estão ligados com a torre e com os mastros que ficam no topo, e de lá, por satélite, com Teerã; a mesa telefônica principal fica na embaixada e há outras em vários locais altamente secretos. Eles têm dispositivos automáticos que impedem que as ligações sejam ouvidas sem aparelhos especiais. — Rosemont levantou um aparelho. Estava mudo. — Talvez os caras da Comunicação tenham feito o seu trabalho, afinal de contas. — No extremo oposto da sala havia um túnel. — Aquele túnel conduz à sala do gerador e à seção onde está todo o equipamento que temos que explodir. Quartos, cozinhas, refeitórios, oficinas, tudo isso fica em outras cavernas fora da área de descarga. Cerca de oitenta homens trabalhavam aqui, 24 horas por dia.

— Existe alguma outra saída? — perguntou Ross. Sua sensação de estar enclausurado era mais intensa do que nunca.

— Claro, lá em cima, onde vamos agora.

Os degraus irregulares subiam em direção ao teto abobadado. Rosemont começou a subir. No patamar havia uma porta: ÁREA DE SEGURANÇA MÁXIMA — PROIBIDA A ENTRADA SEM AUTORIZAÇÃO ESPECIAL. Também estava aberta.

— Merda — murmurou.

Esta caverna estava bem equipada, o chão era mais liso, as paredes brancas. Dezenas de computadores, telas de radar e equipamentos eletrônicos estavam espalhados pela sala. Havia mais mesas e cadeiras e telefones, cinzentos e verdes. E dois telefones vermelhos numa mesa central.

— Para que servem estes?

— Estão ligados diretamente com Langley, por satélite militar. — Rosemont levantou um deles. Estava mudo. Puxou um pedaço de papel e verificou-o, depois foi até um painel de interruptores e ligou alguns. Soltou outro palavrão quando se ouviu um chiado baixinho, os computadores começaram a vibrar, esquentando, e três telas de radar ganharam vida, com o traço central se movendo, deixando um desenho difuso na tela. — Malditos filhos da mãe! Deixar tudo assim! — Apontou para quatro computadores que ficavam nos cantos. — Exploda aqueles desgraçados; são os núcleos.

— Gueng!

— Sim, sahib. — O gurkha tirou a mochila e começou a preparar os explosivos plásticos e os detonadores.

— Pavios de meia hora? — perguntou Rosemont.

— Isso mesmo. — Ross olhava fixamente para uma das telas, fascinado. Para o norte ele podia ver grande parte do Cáucaso, todo o mar Cáspio, e para leste até uma parte do mar Negro, tudo com uma clareza extraordinária. — Há um bocado de espaço para vigiar.

Rosemont foi até o painel e ligou um interruptor.

Por alguns instantes, Ross ficou paralisado. Tirou os olhos da tela.

— Agora eu compreendo por que estamos aqui.

— Isto é só uma parte.

— Cristo! Então é melhor andarmos depressa. E quanto à entrada da caverna?

— Não há tempo para fazermos um trabalho decente; e do outro lado desta porta só há mesmo material de rotina, que eles roubaram por aí. Vamos explodir os túneis atrás de nós e usar a saída de emergência.

— E onde é isso?

O americano foi até uma porta. Estava trancada. Apanhou um molho de chaves e encontrou a que queria. A porta se abriu. Atrás dela, havia um lance de escadas que subia em espiral.

— Dá para uma saída na montanha.

— Tenzing, certifique-se de que o caminho está livre. — Tenzing subiu as escadas de dois em dois. — E depois?

— A sala de código e os cofres, vamos explodi-los. Depois as comunicações. Por último a sala do gerador, certo?

— Sim. — Ross apreciava cada vez mais a força e a decisão do americano.

— Antes de começarmos, é melhor você ver isto. — E estendeu o pequeno cartão plastificado. — Gueng alcançou o nosso guia. Isso estava com ele.

O rosto de Rosemont perdeu toda a cor. No cartão havia uma impressão digital, algumas coisas escritas em russo e uma assinatura.

— Uma carteira de identidade! Uma carteira de identidade comunista!

— Atrás deles, Gueng parou um momento.

— Era isso que eu achava. O que diz exatamente?

— Não sei, também não sei ler russo, mas aposto a minha vida como isto é um salvo-conduto. — Sentiu uma onda de frio quando se lembrou de todos os dias e noites que passara na companhia do velho, vagando pelas montanhas, dormindo ao lado dele ao ar livre, sentindo-se muito seguro. E todo aquele tempo estava sendo enganado. Sacudiu a cabeça, atordoado. — Meshgi estava conosco há anos. Ele pertencia ao bando de Ali bin Hassan Karakose. Ali é um líder da resistência e um dos nosso melhores contatos nas montanhas. Um grande cara que opera até em Baku, lá no extremo norte. Jesus, talvez ele tenha sido traído. — Tornou a olhar para o cartão. — Não consigo entender.