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O que Dr. Igor não contava era com o efeito contagiante de uma cura por envenenamento de Vitriolo. Muita gente em Villete ficara assustada com a consciência da morte lenta e irreparável. Todos deviam estar pensando no que estavam perdendo, sendo forçados a reavaliar suas próprias vidas.

Mari viera pedir alta. Outros doentes estavam pedindo a revisão dos seus casos. O caso do filho do embaixador era mais preocupante, porque ele simplesmente desaparecera — na certa tentando ajudar Veronika a fugir.

«Talvez ainda estejam juntos», pensou.

De qualquer maneira, o filho do embaixador sabia o endereço de Villete, se quisesse voltar. Dr. Igor estava entusiasmado demais com os resultados, para ficar prestando atenção a coisas pequenas.

Por alguns instantes, teve outra dúvida: cedo ou tarde, Veronika se daria conta de que não ia morrer do coração. Na certa, procuraria um especialista, e este lhe diria que tudo em seu organismo estava perfeitamente normal. Neste momento, ela acharia que o médico que cuidou dela em Villete era um incompetente total. Mas todos os homens que ousam pesquisar assuntos proibidos precisam de uma certa coragem, e uma dose de incompreensão.

Mas, e durante os muitos dias que ela teria que viver com o medo da morte iminente?

Dr. Igor ponderou longamente os argumentos, e decidiu: não era nada grave. Ela ia considerar cada dia um milagre — o que não deixa de ser, em se considerando todas as probabilidades de que ocorram coisas inesperadas em cada segundo de nossa frágil existência.

Reparou que os raios de sol já estavam se tornando mais fortes, o que significava que os internos, a esta hora, deviam estar tomando café da manhã. Em breve sua ante-sala estaria cheia, os problemas rotineiros voltariam, e era melhor começar a tomar logo as notas de sua tese.

Meticulosamente, começou a escrever o experimento de Veronika; deixaria para preencher mais tarde os relatórios sobre a falta de condições de segurança do prédio.

Dia de Santa Bernadette, 1998