3. Registros, comendas e prêmios repassados em envio separado.
4. Nossos registros mostram que Tomlin, Robert NMI não obteve brevê. Por favor, entre em contato com CAB para cursos e certificação.
5. Céu limpo e de vento em popa.
Por
Arnold, H.H.
CEM, FAEUA
ref: Ordem executiva #2, 8 de dezembro de 1941
– O que é essa coisa de ele não ter brevê? – perguntou o jornalista. – Vasculhei o arquivo sobre ele; tem trinta centímetros de espessura. Droga, ele deve ter voado mais rápido e mais longe, derrubado mais aviões que qualquer um... quinhentos aviões, cinquenta navios! Ele fez isso sem um brevê?
Linc limpou gordura do bigode.
– É. Aquele era o garoto mais louco por aviões que eu já vi. Em 1939, não podia ter mais de 12 anos, ouviu falar que havia um emprego aqui. Apareceu às quatro da manhã; fugiu do orfanato para fazer isso. Vieram pegá-lo. Mas é claro que o professor Silverberg o contratou, acertou isso com eles.
– Silverberg, o que os nazistas mataram friamente? O cara que fez o jato?
– É. Anos à frente de todo mundo, mas esquisito. Montei o avião para ele, Bobby e eu fizemos isso à mão. Mas Silverberg fez os jatos; os motores mais desgraçados que já vi. Os nazistas e os italianos, e Whittle, na Inglaterra, haviam começado os deles. Mas os alemães descobriram que alguma coisa estava acontecendo aqui.
– Como o garoto aprendeu a voar?
– Acho que ele sempre soube – disse Lincoln. – Um dia ele está aqui me ajudando a dobrar metal. No dia seguinte, ele e o professor estão voando a 650 quilômetros por hora. No escuro, com aqueles primeiros motores.
– Como eles mantiveram o segredo?
– Não muito bem, os espiões vieram atrás de Silverberg; queriam ele e o avião. Bobby tinha saído com ele. Acho que ele e o professor sabiam que havia alguma coisa. Silverberg lutou tanto que os nazistas o mataram. Depois foi o escândalo diplomático. Na época o JB-1 só tinha seis armas calibre .30, e não sei onde o professor as arrumou. Mas o garoto cuidou do carro cheio de espiões com isso, e aquela lancha no Hudson cheia de gente da embaixada. Todos com vistos diplomáticos.
– Só um segundo – Linc se interrompeu. – Fim de uma rodada dupla em Cleveland. Na Blue Network.
Ele aumentou o volume do rádio Philco de metal que estava acima do quadro de ferramentas.
“... Sanders para Papenfuss, para Volstad, uma jogada dupla. É isso. Então o Sox perdeu dois para o Cleveland. Voltaremos...”
Linc desligou.
– Lá se vão cinco pratas – disse ele. – Onde eu estava?
– Os alemães mataram Silverberg e Jetboy se vingou. Ele foi para o Canadá, certo?
– Se juntou à Força Aérea canadense extraoficialmente. Lutou na Batalha da Grã-Bretanha, foi para a China com os Tigres contra os japas, estava de volta à Grã-Bretanha para Pearl Harbor.
– E Roosevelt o colocou no serviço ativo?
– Mais ou menos. Sabe, tem uma coisa engraçada sobre a carreira dele. Ele luta a guerra inteira, mais que qualquer outro norte-americano, do final de 1939 até 1945, e então, bem no final, desaparece no Pacífico. Durante um ano todos achamos que estava morto. Então eles o acham naquela ilha deserta mês passado e agora está voltando para casa.
Houve um zumbido alto e fino, como um avião a hélice em um mergulho. Vinha do céu nebuloso do lado de fora. Scoop pegou o terceiro Camel.
– Como ele consegue pousar nesta sopa?
– Tem um radar para todos os climas, tirou de um caça noturno alemão em 1943. Poderia pousar aquele avião na lona de um circo à meia-noite.
Eles foram até a porta. Duas luzes de aterrissagem, girando, perfuraram a neblina. Elas baixaram até a extremidade oposta da pista, se viraram e voltaram pela pista de taxiar.
A fuselagem vermelha brilhava à luz envolta em cinza da pista de pouso. O bimotor de asa alta virou na direção deles e deslizou até parar.
Linc Traynor colocou um conjunto de travas duplas sob cada um dos dois trens de pouso traseiros de três rodas. Metade do nariz de vidro do avião se levantou e deslizou para trás. O avião tinha três projeções de canhões de 20 mm na base das asas entre os motores e uma abertura para 75 mm abaixo e à esquerda da borda da cabine.
Tinha um leme alto e fino e os profundores traseiros tinham a forma da cauda de uma truta de rio. Sob cada profundor havia a abertura para um cano de metralhadora voltado para trás. As únicas marcas no avião eram quatro estrelas fora do padrão da FAEUA em um medalhão negro e o número de série JB-1 no alto da asa traseira direita e no fundo da esquerda, e abaixo do leme.
As antenas de radar no nariz pareciam algo em que se podia grelhar salsichas.
Um garoto vestindo calças vermelhas, camisa branca, capacete azul e óculos saiu da cabine e pisou na escada deslizante do lado esquerdo.
Tinha 19, talvez 20. Tirou capacete e óculos. Tinha cabelos castanho-claros encaracolados, olhos castanhos e era baixo e corpulento.
– Linc – disse ele. Abraçou o homem gorducho, dando tapinhas em suas costas durante um minuto inteiro. Scoop tirou uma foto.
– Ótimo ter você de volta, Bobby – exclamou Linc.
– Ninguém me chama assim há anos. É realmente bom ouvir isso de novo.
– Este é Scoop Swanson – disse Linc. – Ele vai te fazer famoso novamente.
– Eu preferia dormir – comentei, apertando a mão do repórter. – Há algum lugar por aqui onde possamos comer ovos com presunto?
O barco se dirigiu à doca em meio ao nevoeiro. No porto, um navio terminou de limpar os porões e estava se virando para seguir rumo ao sul.
Havia três homens na amarração: Fred, Ed e Filmore. Um homem saiu do barco com uma maleta nas mãos. Filmore se inclinou e deu uma nota de cinco e duas de vinte ao cara no leme do barco. Depois ajudou o sujeito com a maleta.
– Bem-vindo ao lar, Dr. Tod.
– É bom estar de volta, Filmore. – Tod vestia um terno folgado e um sobretudo, embora fosse agosto. Levava o chapéu baixado sobre o rosto, e deste um brilho metálico refletia as luzes fracas de um armazém.
– Este é Fred e este é Ed – disse Filmore. – Eles estão aqui apenas para a noite.
– Oi – disse Fred.
– Oi – disse Ed.
Caminharam de volta até o carro, um Merc 46 que parecia um submarino. Entraram, com Fred e Ed vigiando os becos enevoados dos dois lados. Depois Fred foi para trás do volante e Ed, para o banco do carona. Com uma escopeta calibre dez.
– Ninguém está esperando por mim. Ninguém se importa – disse o Dr. Tod. – Todos que tinham algo contra mim estão mortos ou se tornaram respeitáveis durante a guerra e fizeram fortuna. Sou um homem velho e cansado. Vou para o interior criar abelhas, apostar em cavalos e investir na bolsa.
– Não está planejando nada, chefe?
– Absolutamente nada.
Ele virou a cabeça quando passaram por um poste de luz. Metade de seu rosto havia desaparecido e uma placa lisa ia do queixo até a linha do chapéu, da narina à orelha esquerda.
– Para começar, não consigo mais atirar. Minha noção de profundidade não é como costumava ser.
– Não surpreende – disse Filmore. – Ouvimos dizer que alguma coisa aconteceu em 1943.
– Eu estava em uma operação um tanto lucrativa fora do Egito, enquanto o Afrika Korps desmoronava. Levando pessoas de um lado para o outro por uma taxa, em aviões supostamente neutros. Só uma atividade paralela. Então dei de cara com aquele aviador metido.
– Quem?
– O garoto com o avião a jato, antes de os alemães terem um.
– Vou lhe dizer a verdade, chefe, não acompanhei muito a guerra. Fico pensando nos efeitos a longo prazo de conflitos puramente territoriais.