– Posso imaginar. Ei, muitos animais perigosos na ilha? Quero dizer, leões, tigres, coisas assim?
Jetboy riu.
– Tinha menos de um quilômetro e meio de largura e dois quilômetros de comprimento. Havia pássaros e ratos, e alguns lagartos.
– Lagartos? Grandes? Venenosos?
– Não. Pequenos. Devo ter comido metade deles antes de ir embora. Fiquei muito bom com um estilingue feito de um tubo de oxigênio.
– Rá! Aposto que sim!
A porta se abriu e um cara alto com camisa suja de tinta entrou.
– É ele? – perguntou Lowboy.
– Eu só o vi uma vez, mas parece com ele – respondeu o homem.
– Bom o bastante para mim! – disse Lowboy.
– Não para mim – disse o contador. – Mostre uma identidade e assine o recibo.
Jetboy suspirou e fez isso. Olhou para a quantia no cheque. Tinha muito poucos dígitos na frente do decimal. Ele o dobrou e colocou no bolso.
– Vou deixar meu endereço com sua secretária para o próximo cheque. E mandarei uma carta com as objeções esta semana.
– Faça isso. Foi realmente um prazer conhecê-lo. Espero que tenhamos negócios longos e prósperos juntos.
– Obrigado, acho – disse Jetboy. Ele e o contador saíram.
Lowboy se sentou em sua cadeira giratória. Colocou as mãos atrás da cabeça e olhou para a estante do outro lado da sala.
Então disparou para a frente, agarrou o telefone e discou nove para pegar uma linha. Ligou para o roteirista-chefe de Jetboy.
Uma voz pastosa de ressaca atendeu no 12º toque.
– Tire toda a merda da sua cabeça, aqui é Lowboy. Imagine isto: especial de 52 páginas, edição com uma única história. Pronto? Jetboy na ilha dos dinossauros! Sacou? Vejo muitos homens das cavernas, um grande como você chama rex rei. Como? É, é um tiranossauro. Talvez um punhado de soldados japas retardatários. Você sabe. É, talvez até mesmo samurais. Quando? Tirados de seu rumo em 1100 d.C? Cristo. Como quiser. Você sabe exatamente do que precisamos. Agora é o quê? Terça. Você tem até cinco da tarde de quinta, certo? Pare de reclamar. São 150 pratas rápidas! Nós nos vemos.
Desligou. Depois chamou um desenhista e disse o que queria para a capa.
Ed e Fred estavam voltando de uma entrega em Pine Barrens.
Dirigiam um caminhão basculante de sete metros. Na caçamba, até alguns minutos antes, havia cinco metros cúbicos de concreto seco. Oito horas antes tinha sido quatro metros cúbicos e meio de água, areia, cascalho e cimento – e um ingrediente secreto.
O ingrediente secreto havia violado três das cinco Regras Invioláveis para conduzir um negócio anônimo e livre de impostos no estado.
Ele havia sido levado por outros empresários a um atacadista de material de construção, onde aprendeu como funciona um misturador de cimento, de perto e pessoalmente.
Não que Ed e Fred tivessem alguma coisa a ver com aquilo. Foram chamados uma hora antes e convidados a dirigir um caminhão basculante pela floresta por duas mil pratas.
Estava escuro na floresta, a poucos quilômetros da cidade. Não parecia que estavam a noventa quilômetros de uma cidade com população de mais de quinhentas pessoas.
Os faróis revelaram valas em que tudo, de velhos aviões até garrafas de ácido sulfúrico, estava disposto em grandes pilhas. Partes do lixo eram novas. Subia um pouco de fumaça e fogo. Outras brilhavam sem combustão. Uma poça de metal borbulhou e estourou quando passaram perto.
Então eles estavam novamente em meio aos pinheiros, sacudindo nas valas.
– Ei! – gritou Ed. – Pare!
Fred enfiou o pé no freio, fazendo o motor morrer.
– Maldição! – exclamou. – Qual é o problema com você?
– Ali atrás. Juro que vi um cara empurrando uma bola de gude néon olho de gato do tamanho de Cleveland!
– Eu não vou voltar de jeito nenhum – disse Fred.
– Ah! Vamos lá. Você não vê coisas assim todo dia.
– Merda, Ed! Um dia você vai nos matar!
Não era uma bola de gude. Eles não precisavam dos faróis para ver que não era uma mina magnética. Era um recipiente arredondado que brilhava sozinho, com cores girando. Escondia o homem que o empurrava.
– Parece um tatu-bola – disse Fred, que tinha estado no Oeste.
O homem atrás da coisa piscou para eles, sem conseguir ver além dos faróis. Era esfarrapado e sujo, com uma barba manchada de tabaco e cabelos despenteados como palha de aço.
Eles chegaram mais perto.
– É minha! – disse a eles, se colocando na frente da coisa, abrindo os braços.
– Calma, velho – disse Ed. – O que você tem aí?
– Minha passagem para a vida mansa. Vocês são da Força Aérea?
– Claro que não. Vamos dar uma olhada nisso.
O homem pegou uma pedra.
– Para trás! Eu encontrei isso onde encontrei o avião caído. A Força Aérea vai pagar muito para conseguir essa bomba atômica de volta!
– Isso não parece com nenhuma bomba atômica que eu tenha visto – disse Fred. – Olhe o que está escrito na lateral. Não é nem inglês.
– Claro que não! Só pode ser uma arma secreta. Por isso eles estavam vestidos de modo tão estranho.
– Quem?
– Eu já falei mais do que queria. Saiam do meu caminho.
Fred olhou para o velho maluco.
– Você despertou meu interesse. Conte mais – pediu.
– Sai do meu caminho, rapaz. Eu matei um homem por uma lata de milho uma vez!
Fred enfiou a mão no paletó. Ela saiu com uma arma cujo cano parecia um tubo de escoamento.
– Ele caiu noite passada – disse o velho, com os olhos agitados. – Me acordou. Acendeu o céu por inteiro. Eu procurei por isso o dia todo, imaginei que a floresta estaria cheia de gente da Força Aérea e policiais do estado, mas não apareceu ninguém. Encontrei um pouco antes de escurecer. Arrancou tudo. As asas da coisa foram completamente arrancadas quando caiu. Todas aquelas pessoas vestidas de modo estranho espalhadas por lá. Mulheres também.
Ele baixou a cabeça um minuto, vergonha no rosto.
– De qualquer modo estavam todos mortos. Devia ser um avião a jato, não encontrei hélices nem nada. E esta bomba atômica aqui estava caída no meio dos destroços. Imaginei que a Força Aérea pagaria bem para tê-la de volta. Uma vez um amigo meu encontrou um balão meteorológico e deram a ele um dólar e vinte e cinco. Imagino que isto é um milhão de vezes mais importante que aquilo!
Fred riu.
– Um conto e vinte e cinco, é? Eu dou a você dez dólares por isso.
– Eu posso conseguir um milhão!
Fred puxou o cão do revólver para trás.
– Cinquenta – disse o velho.
– Vinte.
– Não é justo. Mas eu aceito.
– O que você vai fazer com isso? – perguntou Ed.
– Levar para o Sr. Tod – respondeu Fred. – Ele vai saber o que fazer com isso. Ele é do tipo científico.
– E se for uma bomba atômica?
– Bem, eu não acho que bombas atômicas tenham tubos de aspersão. E o velho estava certo. A floresta estaria lotada de gente da Força Aérea se tivessem perdido uma bomba atômica. Inferno, só cinco delas já foram explodidas. Eles não podem ter mais de uma dúzia, e é melhor acreditar que sabem onde cada uma delas está, o tempo todo.
– Bem, não é uma mina – disse Ed. – O que você acha que é?
– Não me importa. Se valer dinheiro o Dr. Tod vai dividir conosco. Ele é um cara justo.
– Para um vigarista – retrucou Ed.
Eles riram e a coisa chacoalhou na caçamba do caminhão basculante.